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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O maracujá

Não há na vida mais puro deleite
Do que retirar a casca e a semente
E expor-se apenas ao liquído ardente
Inteiramente nu e desprovido de enfeite.

Como o sumo amarelo e denso o leite
Do fruto da paixão tão envolvente
Sem qualquer semente e abertamente
Sem casca ou continente que o estreite.

Livre e pueril o fruto desse instante
De um gosto azedo e doce, e varonil
O sumo a jorrar como em um rompante.

Tão forte e de um amarelo febril
Concentrado e tão mais instigante
E apaixonadamente juvenil.

Obra: Abrãao e as frutas
Autora: Luciana P. V. de Mendonça

domingo, 23 de agosto de 2009

Chocada em ser uma sentimental nata.

E na linha cronológica do Chico fui do Eu Te Amo para Olhos nos Olhos. Agora voltei ao Eu Te amo e estou desconfiada de que não tem nada de cronológico, é ciclo. Estou torcendo para não demorar muito para Olho nos Olhos.

Eu Te Amo
Chico Buarque

Ah, se já perdemos a noção da hora!
Se juntos já jogamos tudo fora,
me conta agora como hei de partir!
Ah! Se, ao te conhecer, dei pra sonhar,
fiz tantos desvarios,
rompi com o mundo, queimei meus navios...
me diz pra onde é que inda posso ir?
Se nós, nas travessuras das noites eternas,
já confundimos tanto as nossas pernas,
diz com que pernas eu devo seguir!...
Se entornaste a nossa sorte pelo chão,
se, na bagunça do teu coração,
meu sangue errou de veias e se perdeu...
Como? Se na desordem do armário embutido
meu paletó enlaça o teu vestido
e o meu sapato ainda pisa no teu...
Como? Se nos amamos feito dois pagãos,
teus seios ainda estão nas minhas mãos
me explica com que cara eu vou sair...
Não, acho que estás te fazendo de tonta,
te dei meus olhos pra tomares conta,
agora conta como hei de partir...

Olhos nos olhos
Chico Buarque

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci
Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos no olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você passo bem demais
E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mais nem porquê
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você
Quando talvez precisar de mim
'Ce sabe a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

domingo, 19 de julho de 2009

O filho rebelde?!

Não se pode negar que, embora a banda Los Hermanos já tenha "acabado", deixou um legado discográfico bem peculiar para a música brasileira.

Entre o rock vibrante do disco homônimo de 1999, até a suavidade de "4", o último em estúdio, rolou muito desapego crítico, experimento e desenvolvimento musical.

Completa, neste ano, dez anos de gravação o primeiro disco; é dele que eu venho dar um parecer.

Amo todas as gravações desses cariocas, mas o Los Hermanos - 1999, faz meu coração dar aquela coisa, além de ser o mais pesado, o que acaba agradando minha forte veia rock'n'roll. Apesar dos fãs mais fervorosos, o desconsiderarem um pouco, devido ao fato de ter sido o mais vendido e ser composto pelo eterno hit, "Anna Júlia".

Com letras que remetem a um espécie de ultra-romantismo em contraposição as guitarras um tanto quanto pesadas, o inteiro do disco se torna um pouco difícil de rotular, característica que acabou marcando a própria banda, não só nos álbuns.

Rapidez, revolta, romantismo: são algumas coisas que se sentem do primogênito dos Los Hermanos.

E alimentando meu feminismo, podemos dizer que o tal, não deixa de ser uma verdadeira prova de que os homens não vivem sem as mulheres, mesmo com todos os infortúnios, que às vezes elas trazem.

domingo, 31 de maio de 2009

Cheia de rascunhos, mas mais uma vez a auto-exigência não permite que a Habitante termine o que tem para dizer. Na verdade ela está sentindo meio inacabada, viu que não é perita em nada, isso a deixou meio frustrada.

Então deixou a função de tocar a alma com palavras, para quem já é considerado especialista.

Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro, o abraço apertado ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar, que desejamos uma presença amiga, a nos ouvir paciente, a brincar com a gente, a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis, nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor! E estou Aqui!'

(William Shakespeare.)

sábado, 18 de abril de 2009

Não é apenas "mais uma metamorfose".

O blog está praticamente abandonado, tanto pelo o autor quanto pelos leitores. Mas sabe, tem justificativa da parte do autor.

Ultimamente tenho sentido meu cerébro atrofiado para dar a luz. Só quero pensar em ouvir Dylan e Bowie e ler as aventuras do héroi de um passado recente.

Inicialmente assustei com essa relaxamento, que confesso, não é muito comum em se tratando da habitante aquí. Mas depois de muita reflexão e auto-flagelamento interno, decide que isso não é ruim.

Só estou levando, um pouco, em conta os meus desejos presentes, afinal, que pecado tem em deixar o futuro de lado, por uma boa parte do dia?

"É a meta de uma seta no alvo
Mas o alvo, na certa, não te espera
Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada
Quando se parte rumo ao nada?"

Paulinho Moska

quinta-feira, 26 de março de 2009

Gargalhada frouxa, que passa despercebida, mesmo sendo verídica.

A comédia não é uma coisa que costuma me atrair, sim, sou uma sorridente constante, e uma piadista (de quinta categoria, porém piadista), do tipo que "perde o amigo, mas não perde a piada", ou como diria minha mãe, em se tratando de mim, "perde o namorado, mas não perde a piada", mas o conceito de comédia geral me parece tão entediante.
Os filmes, as peças, os quadrinhos, às vezes fazem pessoas chorarem de rir, e quando vejo isso é que me acho, realmente, mais estranha, e penso, que meu bom humor não é excitado da mesma forma que o das outras pessoas. Eita, bom humor exigente, hoo, orgasmo de gargalhada insana, difícil de alcançar.
Para mim a graça está nas pessoas reais e nas situações reais, e descobrimos aí que a ficção é ficção, por mais que se confunda, quase que regularmente com a realidade.
Aquele meu sorriso de cantinho da boca, com certeza é minha maior e mais verdadeira gargalhada.

domingo, 1 de março de 2009

Dignos de se tornarem vulgar!

Ah um bom tempo sem dizer nada com as palavras transpostas, porém com os pensamentos forçando para o lado de fora. Um deles, com frequência, vem e toma a frente do turbilhão, para assim poder latejar mais na minha inquieta cabecinha.
E são os tão comentados heróis, comentados não, citados, porque a palavra é mais utilizada sem estar acompanhada do seu real significado.
O "herói" que, deveria ser, inerente ao sinônimo de admiração e exemplo por práticas que enriquecem a sociedade e a induz a atitudes semelhantes ou tão boas quanto, onde está ele?
A palavra foi, realmente vulgarizada. Até o Bial usa o termo para se referir aos Brothers do BBB. É, agora as pessoas são considerados heróis por ficarem confinados em uma casa, expor sua intimidade e e se submeterem a tarefas ridículas para ganhar 1.000.000,00 de reais.
Herói em seu sentido contemporâneo: egocêntrico?
Certa é a carência de heróis no Brasil, isso é amplamente visível. O camarada que faz um lindo gol, a mocinha da novela das oito, o vencedor do reality show, os que dizem que não sabiam de nada...
Todos esses são considerados herois para o povo Brasileiro, dá para ver quão tamanha é a sua necessidade de admirar, não selecionam mais nem o que é digno desse, que deveria ser, um sentimento nobre, ele também já foi vulgarizado.